Liberte-se da CODEPENDÊNCIA

O ápice da doença da dependência química, como todos sabemos, afeta todos ao redor do adicto quando ele atinge o descontrole total no uso de drogas, mas hoje vamos compartilhar com vocês a história de uma refém: a codependente. Quem conta é Ronaldo Risetto, nosso membro e coordenador de grupo. Confira:

“Domingo de manhã, Joselina (nome fictício, ou não) resolve parar de arrumar a casa, pois receberá todos os seus filhos, e vai à feira para comprar as últimas coisas que faltam, para preparar o almoço comemorativo do Dia das Mães. Claro que ela preferia ficar em casa e dar um toque final na decoração, pois não sabe se vai conseguir voltar a tempo de concluir almoço e decoração antes que todos cheguem, porém ela sai correndo pela rua. Sai e compra tudo!

Retorna suando em bicas, termina de arrumar a casa, os últimos detalhes na sala e do almoço são concluídos, graças à sua destreza. Mulher-guerreira essa Joselina, faz de tudo naquela casa. Inclusive, recentemente começou a trabalhar fora também.

O dia continua, e a Joselina resolve se arrumar para receber os filhos, mas nem bem ela resolve fazer isso e a sua filha toca a campainha com os filhos e o marido.

Ao recebê-la, Joselina ainda ouve da filha: – Mas porque você ainda não se arrumou? Hoje é o seu dia!

E a Joselina não responde nada, mas ela sabe bem que hoje é o dia dela. Aliás, todos os dias são o dia dela, de que ela trabalhe em dobro, pois não tem apoio em casa e sente-se impotente sobre qual atitude tomar.

Enfim, ela vai tomar banho, enquanto a filha recebe os outros filhos que estão chegando. E claro, antes de entrar no banho, ela vai acordar o Joselino, para não estragar o seu dia. Coitado do Joselino está tão cansado!”.

O coordenador analisa que, enquanto Joselina tentava dar conta de todos os afazeres domésticos, o marido dormia para a noite ficar no bar com os amigos. No processo da codependência, Ronaldo explica que assim se forma o terceiro estágio dessa doença familiar tão corriqueira, a “desorganização familiar”. “Os familiares assumem responsabilidades de atos que não são seus, tornando-se facilitadores, com inversão de papeis e funções, como por exemplo, de Joselina que, ao invés de colocar o marido para fora da cama, preferiu postergar um serviço seu para fazer outro que não era seu”, diz ele. “ É desorganização sim, pois as pessoas insistem em não assumir esse desvio de conduta perante o outro que não está cumprindo o seu papel. E é claro que esse processo é muito mais amplo, e atinge uma série de sentimentos e reações que passamos a ter quando nos vemos confrontados pela compulsão às drogas e que culmina, via de regra, na dependência química”, completa Ronaldo.

Exemplos – Uma mãe deixa o filho dormir até mais tarde, mesmo que ele tenha chegado bêbado da balada, para que ele possa se recuperar do cansaço e do mal-estar que a noitada causou. Entretanto, se ela o acordasse, e deixasse que ele passasse por esse mal-estar ou mesmo cansaço, e exigisse que ele ajudasse em atividades dentro de casa, permitiria que sofrendo pelas ações equivocadas que causou, refletisse se valeu a pena ou não. De acordo com Risetto, o que vemos nesse cenário são ações que nada tem a ver com educação, e sim ausência de sobriedade familiar para cumprir a obrigação paterna de “educar e dar limites”. “Nós sabemos que não existe sexo, idade, gênero ou qualquer outra referência quanto à desorganização familiar”.

E de fato a adicção não discrimina. Pode acontecer com qualquer um, a qualquer hora. Risetto afirma ainda que ao nos vemos em grupos de apoio ou mesmo em bate-papos individuais, o comentário mais comum é: – “Você pensa que é fácil?”. “ Claro que não é fácil, eu respondo, e esse é o problema. É mais fácil deixar como está, e continuar se submetendo a essa atitude codependente”. “Mas deixar como está irá mudar a situação? Claro que não, então o que fazer?

É fundamental que a pessoa, e às vezes a família, discuta abertamente o problema, e tente buscar em conjunto, uma solução positiva, e isso significa resgatar o protagonismo de cada um naquela casa”.

Solidão – O coordenador diz que a regra fundamental para quem passa por situações semelhantes é não ficar só. A solidão, segundo ele, servirá apenas para te deixar mais vulnerável e cada dia mais propenso a se manter nessa situação desagradável de ser simples instrumento de desorganização familiar. “Agora se você quer encontrar caminhos alternativos da CODEPENDÊNCIA que você vive, e resgatar sua alegria de viver e protagonismo, conte comigo”.




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