Especialistas desmontam mitos da Maconha

Tanto no Brasil quanto em outros países do mundo como os Estados Unidos, nos últimos anos, uma campanha de lobby inteligente e dispendiosa está tornando as pessoas mais tolerantes com a maconha. Mas especialistas em saúde pública alertam que oficializar a indústria da cannabis, é criar uma “fábrica de esquizofrênicos”.

Quem afirma é o psiquiatra Valentim Gentil Filho, professor titular da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Para ele, considerado um dos psiquiatras mais influentes do país, a sociedade tem sido conivente e omissa em relação à droga, e os riscos provocados por ela não têm sido bem divulgados. De acordo com o especialista, estudos bem fundamentados mostram que a maconha aumenta em 310% o risco de esquizofrenia quando consumida uma vez por semana na adolescência. E trata-se de uma doença incurável: “O esquizofrênico pode ter uma vida praticamente normal, mas sempre há uma sequela”, alerta Gentil.

Já nos Estados Unidos, a medida que a legalização se espalha mais cidadãos americanos estão se tornando grandes consumidores da erva, apesar de suas ligações com a violência e a doença mental. O alerta foi feito pelo jornalista Alex Berenson, ex-repórter do New York Times, um dos jornais mais respeitados do planeta. “Ao contrário das previsões dos defensores, a legalização não levou a um aumento enorme de pessoas fumando maconha casualmente. Cerca de 15% dos americanos usaram a cannabis pelo menos uma vez em 2017, contra 10% em 2006, de acordo com a Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas do governo federal”, relata o jornalista, que também é autor de 12 livros publicados, entre eles um sobre maconha: “Conte a seus filhos: a verdade sobre a maconha, doenças mentais e violência”.

O jornalista constatou que desde o início da legalização no país, o número de americanos consumindo maconha tem aumentado exponencialmente. “E eles estão consumindo cannabis que é mais potente do que nunca, conforme medido pela quantidade de THC que contém. O THC é a substância química responsável pelos efeitos psicoativos da maconha. Na década de 1970, a maioria da maconha continha menos de 2% de THC. Hoje, existe maconha com 20 a 25% de THC”, alerta Alex, que ainda destaca que nos estados em que a erva já é oficialmente legal, muitos usuários preferem extratos que são quase puros THC.

Mas na realidade, admite o jornalista, o rastreamento dos casos de psicose é impossível nos Estados Unidos. “O governo rastreia com cuidado doenças como o câncer com registros centrais, mas não existe tal sistema para a esquizofrenia ou outras doenças mentais graves”. “A maneira mais óbvia que a maconha alimenta a violência em pessoas psicóticas é através da sua tendência a causar paranoia. Até mesmo os defensores da cannabis reconhecem que ela pode causar paranoia”.

Há séculos, pessoas de todo o mundo entendem que a cannabis causa doenças mentais e violência – assim como eles sabem que os opiáceos causam dependência e overdose. “Mas para saber exatamente como maconha e violência estão ligadas é preciso investigar todos os crimes”, diz o jornalista.

Dados concretos sobre a relação entre a maconha e a loucura remontam a 150 anos, aos registros de asilo britânico na Índia.




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