Palavra do Padre Haroldo

Errar é humano. Mas quando se fala em dependência química são uma sucessão deles. De todos os erros que levam o dependente de álcool e outras drogas a perpetuar seu cárcere emocional, nada é tão grande quanto o autoabandono. Quem explica é o padre Haroldo Rahm, fundador do Amor-Exigente e presidente de honra da FEAE (Federação de Amor-Exigente).

De acordo com ele, um eu que se autoabandona desistiu de si mesmo, não investe mais em seu potencial, sua vontade de mudar é frágil, débil, ele não suporta a primeira crise, dificuldade ou contrariedade. “Lembrem-se, por favor, mais uma vez do que comentei: Se a sociedade o abandona, enfim, se o mundo o despreza, a solidão é difícil, mas tolerável; mas se você mesmo se abandona, desacreditará de si mesmo, não poderá crer que será capaz de dirigir sua história, portanto, sua solidão será insuportável”.

Devido às frequentes recaídas, segundo o padre Haroldo, muitos dependentes químicos acham que são um caso sem solução, que estão condenados à miserabilidade, serão drogados, dependentes, viciados por toda a vida. “Não entendem que se reeditarem a MUC (memória de uso contínuo ou consciente), mesmo com uma ME (memória existencial ou inconsciente) doentia, poderão viver dias felizes, saudáveis e livres”. “A grandeza de um ser humano não está nas suas recaídas, mas na capacidade do seu eu de se levantar, de proclamar todos os dias que pode proteger sua mente e ser livre, apesar de todas as falhas, das promessas fracassadas, dos erros crassos”, analisa o padre Haroldo, que ainda questiona: “Você tem essa grandeza? Consegue se levantar depois do acidente?”.

Coitadista – Para ele, um eu coitadista que se acha vítima da dependência, das privações e dos traumas do passado, somado a um eu conformista, que acha que não tem solução, que é um caso sem esperança, é acima de tudo um eu frágil, autopunitivo, que se autoabandonou, que não tem um caso de amor consigo mesmo. “Você tem um eu coitadista, e um eu conformista? Você é autopunitivo?”.

O coitadismo e o conformismo levam o eu a não fazer uma mesa-redonda com seus fantasmas, com seus medos, com sua dependência. “Sua vontade de se superar não tem consistência, não tem opinião própria. Muitos vivem recaindo, pensando que as drogas são culpadas, mas no fundo o erro está nas falhas do seu Eu. Seu Eu é um barco sem leme, um avião sem instrumentos de navegação. Que tal construir um leme e não soltar mais de suas mãos?”, o padre Haroldo orienta.

Passos – Às vezes, ainda segundo o padre Haroldo, dar dois passos para frente e um para trás é um modo melhor de superar uma dificuldade do que fracassar no meio de nosso esforço e deixar tudo para trás. “Nunca recebemos mais do que podemos aguentar, um dia por vez”, diz ele.

“Com calma tudo se consegue”. De acordo com o padre Haroldo, forçar não ajuda nosso programa; provoca mais pressão dentro de nós. “Muitos seguimos esta filosofia: “Se não funciona, pegue um martelo maior”. É-nos concedida a oportunidade de resolver todas as nossas dificuldades; basta esperar por ela”.



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